A atualidade de Garaudy

Em seu livro Deus É Necessário? (Avons-nous Besoin de Dieu?), escrito em 1992, o filósofo francês Roger Garaudy, ex-católico e ex-comunista, falecido em 13 de junho deste ano (2012), critica a ambição de poder que tem caracterizado a história da humanidade ao longo dos séculos. Como exemplo, cita a transformação de algumas nações em imperialismos concentradores da riqueza mundial, em detrimento de outras, subjugadas, dominadas e exploradas. Na época em que finalizou a obra, Garaudy já antevia o estágio em que o capitalismo selvagem, agora travestido sob a denominação mais “suave” de liberalismo (ou neoliberalismo), haveria de transformar a humanidade, como parte da estratégia de se constituir em um sistema dominante e vencedor. O estágio seria o do embrutecimento e o da insensibilidade provocados pelo avanço da tecnologia, sobretudo da internet.
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Lula aperta a mão de Maluf

Alguém disse uma vez que todo o homem, em especial o político, tem seu preço, o que não significa que todos tenham valor. O aperto de mão de Lula em Maluf, por maior que seja a repulsa que o gesto provoque, é algo comum no mundo quase sem limites da política. Lula pode ter arranhado um pouco sua biografia pelo preço que aceitou pagar por dois minutos a mais no horário da propaganda eleitoral. Por outro lado, se não o fizesse, os tucanos já estariam prontos para apertar a mão, o pé e talvez até a bochecha de Maluf. Lula foi mais esperto — politicamente — e somente antecipou-se a eles.
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A oportunidade Dilma

O primeiro feriado da Independência, comemorado pelo governo da presidenta Dilma, é uma data que, forçosamente, nos conduz a uma reflexão. Os políticos brasileiros, tais como os conhecemos há décadas, estão perdendo uma excelente oportunidade de se reciclarem perante a sociedade brasileira.

Poderíamos chamar essa oportunidade de “Dilma”, porque ocorreria em meio a um governo que, é impossível não admitir, começou de um modo diferente dos outros; digamos, de um modo diferente – diria mesmo, estranho para os padrões brasileiros – de fazer política. Ou de não fazê-la.
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