A atualidade de Garaudy

Em seu livro Deus É Necessário? (Avons-nous Besoin de Dieu?), escrito em 1992, o filósofo francês Roger Garaudy, ex-católico e ex-comunista, falecido em 13 de junho deste ano (2012), critica a ambição de poder que tem caracterizado a história da humanidade ao longo dos séculos. Como exemplo, cita a transformação de algumas nações em imperialismos concentradores da riqueza mundial, em detrimento de outras, subjugadas, dominadas e exploradas. Na época em que finalizou a obra, Garaudy já antevia o estágio em que o capitalismo selvagem, agora travestido sob a denominação mais “suave” de liberalismo (ou neoliberalismo), haveria de transformar a humanidade, como parte da estratégia de se constituir em um sistema dominante e vencedor. O estágio seria o do embrutecimento e o da insensibilidade provocados pelo avanço da tecnologia, sobretudo da internet.
Continue lendo “A atualidade de Garaudy”

No trânsito II: Elas também erram

Toda a mulher agressiva ao volante, imitando o que há de pior nos homens, fica feia em todos os sentidos. Não tenho receio de ser tachado de “machista” ou “politicamente incorreto”, quando afirmo que mulheres são diferentes dos homens ao volante. Nem melhores, nem piores, mas diferentes.

Anos de observação no trânsito mostraram-me que algumas mulheres são cuidadosas ao dirigir – às vezes tanto, que atrapalham. Mas, para boa parte delas, parece que dirigir resume-se a dois movimentos: acelerar e frear. Dão fechadas, não sinalizam quando pretendem mudar de direção, buzinam freneticamente e por qualquer coisa e andam na contramão (só para ter de evitar dar uma volta maior). É o que elas chamam de “jeitinho”.

Os homens, definitivamente, são mais agressivos consciente e descaradamente. Gostam de provocar e reagem agressivamente se são desafiados. Em geral, vão até às vias de fato, o que, muitas vezes, resulta em agressões, mortes e ferimentos. Não vou negar que já me irritei no trânsito. Nesses casos, grito como um Tarzan com os vidros do carro fechados e dou um jeito de amansar o homem primitivo que há em nós. Há sempre mantras indianos no CD player.

Mulheres estressadas ou “com problemas” correm pelo acostamento, falam ao celular, raramente cedem a vez, raramente sorriem e acabam tachadas pelos machistas de “mal-amadas”. Quem discordar de mim pode alegar mil razões e argumentos – e alguns podem até me convencer. Mas o mais grave é que, independentemente do sexo ou temperamento, o trânsito continua matando, de forma estúpida, no Brasil.

No trânsito I: A ignorância mata

Alguém já disse que, para medir o grau de civilidade de um país, basta verificar o número de pedestres e motoristas mortos no trânsito (o número de prisões também é uma boa referência). Neste quesito, o Brasil, lamentavelmente, vai muito mal. A má educação ao volante, em especial nas principais cidades brasileiras, é assustadora. É algo mais ou menos como se, andando a pé nas calçadas e ruas, as pessoas empurrassem os outros ou gritassem para sair da frente, e ainda xingassem e fizessem cara feia.

Estamos quase nesse nível de barbárie, mas, felizmente, ainda não chegamos lá totalmente porque a pé, a vulnerabilidade é muito maior. Já no trânsito, a selvageria é total: estar dentro de um veículo confere uma falsa sensação de maior segurança ao motorista, principalmente se o carro for de grande porte ou de alto valor. É quando os gorilas se revelam.

Matéria publicada no jornal O Globo deste domingo (09/10) dá conta de que, segundo levantamento da seguradora que administra o DPVAT, o seguro obrigatório para o licenciamento de veículos, 160 pessoas morrem todo dia no trânsito brasileiro. “É um número que impressiona – e que se torna apavorante se comparado ao total de civis mortos por dia no Iraque em 2006 (77 pessoas) e 2007 (68), o biênio de maior violência no país após a invasão americana, em 2003. O drama vivido pelas famílias diretamente envolvidas nessa carnificina é imensurável”, assinala a reportagem.

E conclui com uma previsão preocupante: “…se essa curva não for revertida, mesmo com a redução de danos obtida com o CTB e a Lei Seca, estima-se que o número de mortes no trânsito continue aumentando a uma taxa de 4% ao ano, com 150 mil óbitos e 500 mil feridos até 2014, um custo ao país de R$140 bilhões em resgate, tratamento de feridos e perda de produtividade das vítimas.” (Clique aqui para ler artigo de Gilberto Dimenstein sobre o assunto)