A Copa, que poderia ser nossa, em boas mãos

Escrevo muitos dias depois da decepção com a derrota da seleção brasileira na Copa, e na véspera da grande decisão que reúne Espanha e Holanda. A seguir algumas considerações sobre a eliminação do Brasil e sobre o jogo final. Para começar, tínhamos uma grande seleção na África do Sul, comandada por um técnico de muita personalidade. Levar bons times para a Copa, aliás, nunca foi problema para o Brasil. Temos jogadores bons a rodo e o trabalho maior é o de reunir aqueles que se encontrem em grande fase e que melhor se entrosem no grupo.

Nossa seleção não perdeu por causa de Dunga; perdeu porque teve medo. Foi isso o que eu vi nos olhos de quase todos os jogadores, no corredor que reúne as equipes, antes da entrada em campo, no jogo contra a Holanda. Com exceção de Kaká – por ironia, um dos que ficaram abaixo da expectativa – todos os demais estavam tensos. Os holandeses, relaxados, nem se deram conta e, por isso, nos respeitaram no primeiro tempo, quando a seleção brasileira errou pouco e jogou quase com perfeição.

Mas o descontrole emocional ficou evidente no segundo tempo, com passes errados, faltas descabidas, comportamentos exaltados inclusive por parte do técnico. O que faltou à seleção nessa rápida passagem pela Copa foi assistência psicológica, exercícios para melhorar a auto-estima que, estranhamente, sempre se esfarela em momentos decisivos. A pressão da imprensa contribui para o tal complexo  de vira-lata e, por isso, defendo o isolamento em relação à mídia determinado por Dunga.

Pessoalmente, gosto mais de Felipão na seleção mas, mais uma vez, não foram os erros de Dunga que nos levaram ao fracasso. Foi a falta de confiança no nosso potencial. E Felipão consegue conciliar as funções de técnico e motivador. Fizemos 1 x 0 na Holanda porque somos bons e estávamos cheios de adrenalina. A Holanda não percebeu nossa instabilidade emocional. No segundo tempo, tudo desabou – e começou a carcomer, como diria Eduardo Dusek.

Para finalizar, um pouco sobre Espanha e Holanda. Apesar dos erros inadmissíveis dos árbitros nesta Copa, a final reúne duas das quatro ou cinco melhores seleções do torneio. Indicustivelmente, a Holanda é a mais regular e a que apresentou uma campanha de campeã. Pode-se dizer que veio para a África do Sul para vencer. E é o que espero que aconteça amanhã, domingo 8 de abril. Meu palpite? 2 x 0.