Diário de navegante

Ontem, queimei minhas caravelas;
Transformei tudo em cinza, fuligem.
Vi as chamas lamberem as velas,
Fiz tudo crepitar, em vertigem.

Clareei a noite com mil sóis.
Para não ver tudo o que fomos nós;
Queimei bandeiras, nossos lençóis,
E chorei por sermos bons, mas tão sós.

Na praia da Esperança abandonada
Gritei, cheio de mágoa e confusão,
Em meio a uma dor desalmada:
– Não! Não ao mar inseguro da paixão!

No final, deixei ali, ancorada,
Somente a nau que restou, “Ilusão”,
Abandonada e iluminada
Com os dizeres: “Nau sem capitão!”

Autor: Rui Pizarro

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