Náufrago

Procuro o teu olhar.
Procuro e não acho;
Pode já estar debaixo
Das ondas deste mar.

Sim, meu grande amor,
Já não acho o teu olhar
Nestes olhos de náufrago,
Nestes destroços de amar.

Em farrapos, na areia,
Vivo sem a tua presença
Uma vida que é meia;
Espécie de dura sentença.

Procuro o teu olhar
Nos pedaços de cristal.
Que chegam do mar,
Misturados com lágrimas e sal.

Procuro, mas não acho.
A vida passou, mas eu não vi;
Afinal, sempre estava debaixo,
Ao lado, ou em cima de ti.

Hoje tenho só para mim
Esta praia, enfim;
Um imenso jardim
Sem serventia e sem fim.

Rio, 16/6/1987

Autor: Rui Pizarro

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