Reflexões sobre o caso Erenice

A agitação na vida política do País, em conseqüência dos supostos escândalos envolvendo a Casa Civil e, aparentemente – denunciar é uma coisa, comprovar é outra – , também vários parentes e familiares da ex-titular da pasta, Erenice Guerra, já permite que o cidadão comum, esclarecido e medianamente informado,  chegue a algumas conclusões. Nossa imaturidade política nos leva a encarar episódios sérios da vida nacional com a paixão irracional de um skinhead. Antes mesmo de qualquer esclarecimento ou apuração, a oposição política ao governo tenta caracterizar o acontecimento como algo certamente vinculado às eleições.

A campanha eleitoral tem seu próprio ritmo e seu próprio curso. Está à margem de fatos que já aconteceram e vão acontecer na política, na economia, na cultura e em qualquer outra área do País. Tentar misturar as duas coisas, sem provas, é algo tão pobre, do ponto de vista intelectual, quanto sórdido, do ponto de vista moral. Por mais parceiros que possam ter sido, Dilma e Erenice são diferentes. Podem ter mais diferenças que a meia dúzia de metros que separavam seus gabinetes. O presidente Lula agiu com rapidez e inteligência política ao 1) denunciar que existe uma tentativa da oposição de tumultuar as eleições, e 2) nunca se negar – nem ele, nem Dilma – a comentar o assunto.

O fato de as pesquisas sobre a preferência do eleitor não se alterarem significativamente costuma deixar os grandes estrategistas e consultores políticos ligados aos tucanos à beira de um ataque de nervos. Diante do quadro praticamente inalterado das estatísticas, fica a conclusão – para eles! – de que o povo realmente não sabe votar. Mesmo que haja segundo turno. Uma conclusão que eles, obviamente, jamais admitiriam publicamente. Para a elite econômica do País, a democracia que sucedeu à ditadura militar trouxe a “desconfortável” ferramenta do voto, que iguala todos os cidadãos. Assim, o meu voto é igual ao do meu vizinho, seja ele quem for. Simples assim: um voto igual a outro voto. E foi assim que se viu um operário chegar ao mais alto posto de País.

Para o governo e seus seguidores, que apóiam a continuação do modelo político e econômico vigente, mas com aprofundamento das políticas sociais, fica uma mensagem muito clara: más companhias – às vezes – não derrubam governos. Mas certamente dão muito trabalho. O governo precisa contar com gente que se entregue a uma causa e que não tropece diante das tentações dos desvios que engordam contas bancárias. Não basta que os nomeados para cargos sejam amigos ou companheiros do líder. E não basta que sejam competentes. Suas vidas precisam ser estudadas, assim como suas ligações, seus contatos, suas amizades precisam ser conhecidas. A vida pública assim exige.

Autor: Rui Pizarro

Um espaço para comentários, opiniões, debates, fotografias e celebrações de amizades, novas e antigas. Os temas vão da política à religião, do futebol ao budismo, do amor à raiva, da literatura ao jornalismo, do bom humor às manias e da poesia ao passado. Sejam bem-vindos amigos, irmãos. camaradas e companheiros.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *