A “oportunidade Dilma”

BrasilO primeiro feriado da Independência, comemorado pelo governo da presidenta Dilma, é uma data que, forçosamente, nos conduz a uma reflexão. Os políticos brasileiros, tais como os conhecemos há décadas, estão perdendo uma excelente oportunidade de se reciclarem perante a sociedade brasileira.

Poderíamos chamar essa oportunidade de “Dilma”, porque ocorreria em meio a um governo que, é impossível não admitir, começou de um modo diferente dos outros; digamos, de um modo diferente – diria mesmo, estranho para os padrões brasileiros – de fazer política. Ou de não fazê-la.

Em sua coluna no jornal O Globo, Ricardo Noblat escreveu recentemente: “A herança legada por Lula a Dilma tem uma face bendita e outra maldita. A pior: Lula foi leniente com a corrupção, embora negue. A melhor: milhões de brasileiros saíram da miséria, e a economia permaneceu nos trilhos.”

A “oportunidade Dilma” está aí: a presidenta não quer ser leniente com a corrupção, mas sabe que não depende só dela mudar a forma de se fazer política no Brasil. E sabe que a sociedade está cansada do jogo da troca de cargos por favores políticos que predomina nos corredores do Congresso. Sempre foi assim.

Se queremos que o Brasil mude, precisamos perguntar aos políticos o que eles querem fazer do Brasil. Se os desejos forem diferentes, alguém terá de sair do caminho.

O que enseja a “oportunidade Dilma”? Que os partidos aliados do governo designem homens competentes e honestos para cargos no governo, se desejam fazer história com “H” e se desejam ser eleitos ou reeleitos por seus próprios méritos.

Dilma tentou fazer uma faxina nas alas mais podres de seu governo. Poderia dar continuidade a isso, mas os políticos reclamaram. No entanto, o povo brasileiro apoiou Dilma e com razão: que aliados são esses que indicam ministros que comprometem o governo, como um todo?

Agora, o povo começa a ir para as ruas, cansado de picaretagens como a absolvição de Jaqueline Roriz. Não dá mais para o Brasil do século 21 fazer política à moda de 1964. Felizmente, não temos hoje uma classe média conservadora e manipulada a pedir a tomada do poder pelos militares.

O que temos são pessoas comuns que querem um modo de se fazer política diferente no Brasil. E que entendem que esse momento pode ser agora. E, se os políticos são mesmo espertos e querem sobreviver, deveriam ouvir a voz das ruas.

Uma andorinha, só, não faz verão. Dilma, sozinha, não muda o Brasil. Se queremos que o Brasil mude, precisamos perguntar aos políticos o que eles querem fazer do Brasil. Se os desejos forem diferentes, alguém terá de sair do caminho. E eu e a geração de meus filhos esperamos que não seja, mais uma vez, o povo brasileiro. (Publicado em 07/9/2011)

A correspondência de Machado

Há muito a descobrir na correspondência que vai de 1890 a 1900. As 292 missivas mostram Machado no ápice da carreira. Entre os 51 e 61 anos, ele redigiu e fez publicar dois de seus romances mais importantes ̶ “Quincas Borba” e “Dom Casmurro” ̶ e trabalhou para fundar e institucionalizar a ABL. Trocou ideias com críticos , colegas e personalidades da época; reagiu discretamente aos ataques de inimigos, deu conselhos a amigos jovens e até encontrou tempo para se envolver com uma mulher. (Luís Antônio Giron, em “No coração de Machado”, para o Valor)

Chuvas danificam cérebros em Brasília

A Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap) esclarece que a qualidade da massa asfáltica do Distrito federal é semelhante à da massa encefálica dos deputados da Câmara Legislativa do Distrito Federal, ou seja, composta por pó, pedrisco, areia, brita, cimento asfáltico de petróleo e óleo de peroba. Não há nada que possa ser feito a não ser trocá-los a cada eleição, assim como a cada temporada de chuvas se renova o asfalto da capital.